Uma nova proposta de linguagem cinematográfica paira sobre nosso cinema. Em Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, São Paulo e Bahia, uma nova geração de cineastas rompe com as formas construídas desde o início dos anos 60, rompe com as formas estabelecidas pela mídia a reboque de Hollywood e inaugura uma nova maneira de articular a linguagem cinematográfica. Creio que seu objetivo central é fazer o cinema pensar, fazer do cinema uma linguagem que pensa. Uma arte do pensar.
Ulisses: efeito terapêutico – por Eduardo Escorel
Ao voltar à União Soviética em 1932, as críticas a Outubro e A linha geral (O velho e o novo) haviam se transformado em acusações abertas de “formalismo” – equivalentes, na época, a uma condenação ao ostracismo. Eisenstein estava frustrado e desiludido (…). A leitura de Ulisses, feita quatro anos antes, quando estava convalescendo no Cáucaso, e o encontro com James Joyce no início de 1930, em Paris, não haviam sido esquecidos e passaram a ser referências constantes em seus escritos nos anos seguintes.
Fernando, o classicista
Veja bem: aprecio Cervantes e Shakespeare tanto quanto qualquer outro leitor. Todavia, a literatura contemporânea sempre foi uma espécie de bandeira minha. Qual não foi o meu choque, então, ao descobrir que agora o meu amigo estava obcecado por Sêneca e Homero e não demonstrava o menor interesse em ler mais nada da literatura produzida nos dias de hoje no Brasil?
É proibido proibir, mas não opinar
Que fique claro: não estou criticando esta nova situação, nem lamentando nostalgicamente o fim da arte do passado. Para mim, a maior babaquice é suspirar pela “Arte”, ou pelo “Belo”, escritos assim, com maiúsculas, e vistos como entidades abstratas, a-históricas. Penso que cada obra de arte – ou cada objeto estético, cada artefato expressivo, cada manifestação material do espírito, como quiserem chamar – cria suas próprias regras, sua própria lógica, seus próprios critérios e valores. Se conseguir tocar a sensibilidade e a inteligência de outros, muito bem. Se não conseguir, paciência.
A poesia viva – quatro perguntas a Francisco Alvim
Revelado no começo dos anos 1970, em conjunto com nomes da poesia brasileira tidos como “marginais” ou como chamou José Guilherme Merquior, os “pós-vanguardistas”, como Cacaso e Ana Cristina Cesar, o poeta mineiro Francisco Alvim, de 73 anos, lançou recentemente o livro O metro nenhum. Observador atento e perspicaz à linguagem das ruas, Alvim é dono de um verso esmerado, objetivo e que busca o simples, embora não menos refinado.
De falsificações e falsificadores
Mas vale a pena contar um caso. Pelos bares de BH, na década de 70, havia um sujeito apelidado de Makario, que vivia tirando poemas seus do bolso e mostrando às pessoas nos bares, que mal continham a impaciência e achavam os poemas muito ruins. Mas não é que o Makario um dia saiu mostrando um poema de Drummond, dizendo que era seu e todo mundo continuou a detestar. Noutro dia, mostrou um poema seu e disse que era de Drummond e muita gente não só acreditou, como gostou.
Show “Acabou chorare” por Moraes Moreira
Em 23/8/11, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro apresentou o show Acabou chorare por Moraes Moreira, com a participação especial do filho do músico, Davi Moraes. Além de interpretar as composições do disco, Moraes Moreira contou ao público um pouco sobre a história do LP. Este show (aqui na íntegra) faz parte da série produzida pelo IMS, iniciada em 2010, dedicada a grandes discos da música popular brasileira.
Um mestre em cena – conversa com Jefferson Del Rios
Convidado pelo Instituto Moreira Salles, o jornalista e crítico de teatro Jefferson Del Rios destaca algumas fotos e documentos do acervo do ator Paulo Autran (1922-2007) sob a guarda da Reserva Técnica Literária do IMS. Nesta conversa, a proposta foi a de traçar um percurso que abrangesse três vertentes baseadas no material selecionado: a atuação no teatro, cinema e TV; a correspondência com colegas de profissão, e alguns momentos cruciais de sua biografia. Com mais de quatro décadas de dedicação à crítica teatral, Jefferson Del Rios testemunhou parte significativa dos grandes momentos de Paulo Autran nos palcos.
Há arte demais no mundo
Claro que todo mundo tem o direito de expressar seus sentimentos – e ressentimentos -, suas ideias banais ou extravagantes sobre a vida na terra. (…) Mas a arte, a arte é outra coisa. Basta ler uma estrofe de João Cabral de Melo Neto, ou um parágrafo de Guimarães Rosa, ouvir uma frase musical de Tom Jobim, ver um travelling de Stanley Kubrick, para imaginar quanto de esforço intelectual, quanto de educação dos sentidos foi investido ali, para além do talento natural de seus criadores. Temo que me chamem de elitista, acadêmico ou passadista, mas concordo com o artista plástico Luiz Paulo Baravelli, que uma vez declarou que “há arte demais no mundo”.
Vozes de Brasília – quatro perguntas a João Almino
Autor de cinco livros que tem a cidade de Brasília como pano de fundo das narrativas, o diplomata e escritor brasileiro radicado na Espanha João Almino foi anunciado no começo desta semana como vencedor do 7º Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura. Cidade livre, o livro premiado, tem como protagonista um jornalista e conflitos que se passam nos primeiros anos da cidade, retratando a vida dos operários envolvidos na construção da cidade.
