Parem, simplesmente parem

No momento imediatamente anterior à chamada quarta onda, os movimentos feministas ocidentais estavam capturados pela institucionalização ou, dito de uma forma pior, pela adesão aos governos. O retorno às ruas é não apenas a volta à oposição, mas principalmente a retomada da irreverência e do deboche como potente arma política. Com sua plasticidade e irreverência, resgata essa crítica ao capitalismo e às injustiças de gênero nele contidas e acentuadas por um recrudescimento das políticas neoliberais de corte de direitos.

Vem aí a serrote #25

Neste março as livrarias recebem a nova edição da serrote, a revista de ensaios do Instituto Moreira Salles. Dentre os destaques da revista estão textos de George Steiner, Mark Lilla, Guilherme Freitas, Megan  Marshall, Ben Lerner, João Bandeira e outros.

Entre a neve e o fogo

Premiado com o Oscar de roteiro original, Manchester à beira-mar é um melodrama que, em muitos aspectos, transcende o gênero e ajuda a renová-lo. No atual estágio do cinema hollywoodiano, não é pouca coisa. No filme de Kenneth Lonergan, a tragédia explode em meio à atmosfera melancólica do inverno na praia.

Mapa da dor

A seção Primeira Vista publica todo mês textos de ficção inéditos, escritos a partir de fotografias selecionadas no acervo do IMS. O autor escreve sem ter informação nenhuma sobre a imagem, contando apenas com o estímulo visual. Neste março, André de Leones foi convidado para escrever sobre uma foto de Vincenzo Pastore.

Os filmes de março

Fique por dentro da programação completa para março da Sala José Carlos Avellar, o cinema do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos.

Via-crúcis do corpo

Uma das proezas do diretor Barry Jenkins é a de encontrar em três atores de idades e aspectos inteiramente diferentes o mesmo olhar de perplexidade, dor e solidão. Esses olhos são o cerne de Moonlight. Depois de tudo, Chiron continua se perguntando quem ou o que é. A ausência de resposta é a beleza maior desse filme surpreendente, que não ignora os condicionamentos sociais, mas também não os vê como um determinismo fatalista e nivelador.

Carlos, João e o Homem Comum

No último dia 4/2, a Sala José Carlos Avellar do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abrigou uma conversa entre os documentaristas Carlos Nader e João Moreira Salles, como parte dos eventos de lançamento de Homem comum (2016). Assista ao debate na íntegra.

O lugar do negro

“A história do negro na América é a história da América – e não é uma história bonita.” A frase, dita pelo escritor James Baldwin (1924-87) a certa altura de Eu não sou seu negro, sintetiza muito bem o espírito do esplêndido documentário de Raoul Peck que concorre ao Oscar da categoria.

Algo tão irrelevante quanto a realidade

As boas intenções, como prova o exemplo de Florence Foster Jenkins, não servem como fator atenuante no caso de um resultado desastroso. Entre a concepção e a realização, e não apenas na criação artística, há um longo caminho a ser percorrido. Com a valorização do discurso fácil que procura recompensar aqueles que, a despeito das dificuldades e das limitações, resolvem perseguir seus sonhos, como se a capacidade de idealização devesse se sobrepor à capacidade de realização, a guinada à brandura é previsível. A condescendência na crítica, porém, não vai nos levar muito longe.

Risco e controle

Estão em cartaz dois belos filmes brasileiros que, por seus contrastes, mostram a diversidade de caminhos que o cinema pode seguir, sem que um deles seja necessariamente mais correto ou oportuno do que outro. Estou falando de Redemoinho (foto), estreia cinematográfica do aclamado diretor de minisséries televisivas José Luiz Villamarim (Justiça, Amores roubados), e de A cidade onde envelheço, primeiro longa-metragem de ficção de Marília Rocha, conhecida por ensaios poético-documentais como Aboio e A falta que me faz.