Cinema líquido

De can­ção em can­ção, o novo fil­me de Terrence Malick, é um obje­to – melhor seria dizer: um orga­nis­mo – difí­cil de apre­en­der, pois tudo nele é flui­do: a his­tó­ria, os per­so­na­gens, o modo de fil­má-los. São frag­men­tos, reta­lhos, sem ordem cro­no­ló­gi­ca ou pro­gres­são dra­má­ti­ca apa­ren­te, das vidas de qua­tro per­so­na­gens cen­trais.

O meme, o soneto e o escorbuto

Victor Heringer mer­gu­lha na gene­a­lo­gia dos memes de inter­net para refle­tir sobre a rele­vân­cia da poe­sia na soci­e­da­de con­tem­po­râ­nea e des­co­bre quem tomou o lugar de sone­tos, tro­vas, ron­dós e can­ti­gas.

Cinco vezes IMS Paulista

Nada menos do que cin­co mos­tras dis­tin­tas, entre elas a céle­bre série Os ame­ri­ca­nos, do fotó­gra­fo Robert Frank, e a pre­mi­a­da vide­oins­ta­la­ção The Clock, de Christian Marclay, vão mar­car a inau­gu­ra­ção da nova sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo, na segun­da quin­ze­na de setem­bro.

Inventário de solidões

Fala comi­go, lon­ga-metra­gem de estreia do cari­o­ca Felipe Sholl, come­ça e ter­mi­na no escu­ro, isto é, com pala­vras sen­do ditas sobre a tela pre­ta. O fil­me pare­ce par­tir do prin­cí­pio de que sem­pre have­rá coi­sas – nos outros, no mun­do e em nós mes­mos – que nun­ca sabe­re­mos por com­ple­to. Enfeixando pul­sões deli­ca­das e com­ple­xas, esse fil­me sur­pre­en­den­te­men­te segu­ro para um estre­an­te demons­tra inte­gri­da­de e con­sis­tên­cia cine­ma­to­grá­fi­ca.

Instalação de referência

Não é uma obra qual­quer. A cons­tru­ção do novo cen­tro cul­tu­ral do IMS na Avenida Paulista tem sido um apren­di­za­do para todos os envol­vi­dos nes­te pro­je­to de tec­no­lo­gia ino­va­do­ra des­ti­na­da a ambi­en­tes pró­pri­os para a difu­são de arte no Brasil. Um pou­co des­sas carac­te­rís­ti­cas par­ti­cu­la­res do empre­en­di­men­to você pode con­fe­rir nes­ses dois peque­nos docu­men­tá­ri­os rea­li­za­dos no iní­cio de julho de 2017 por Laura Liuzzi, do Núcleo de Vídeo do IMS.

A doçura do irracional

A vol­ta da série Twin Peaks, com o sub­tí­tu­lo The return, é um tes­te para os nos­tál­gi­cos. Os pri­mei­ros epi­só­di­os são puro David Lynch, sem fil­tros, des­pre­o­cu­pa­do com a estru­tu­ra nove­les­ca ou poli­ci­a­les­ca que deram for­ma ao pilo­to da série ori­gi­nal. Temos um dos dire­to­res mais ino­va­do­res do nos­so tem­po tra­ba­lhan­do sem qual­quer amar­ra, e com todo o apoio, para expan­dir um uni­ver­so rico e com­ple­xo. Cabe, de nos­sa par­te, um ajus­te de expec­ta­ti­vas, ou no míni­mo uma cer­ta aber­tu­ra ao que ele tem a nos ofe­re­cer.

Desmesurada poesia

Depois de rea­li­zar uma obra pou­co nume­ro­sa mas com momen­tos cin­ti­lan­tes como El topo (1970), A mon­ta­nha sagra­da (1973) e Santa san­gre (1989), o cine­as­ta chi­le­no Alejandro Jodorowsky ficou vin­te e três anos sem fil­mar. Em 2013, aos 84 anos, retor­nou ao seu país e ao cine­ma para pas­sar em revis­ta sua vida e obra numa pla­ne­ja­da série de cin­co lon­gas-metra­gens, dos quais A dan­ça da rea­li­da­de (2013) foi o pri­mei­ro. Poesia sem fim, seu novo fil­meé o segun­do.

Mais comodidade no IMS Rio

O IMS Rio ofe­re­ce, a par­tir de ago­ra, uma gran­de faci­li­da­de para seu públi­co: a ven­da de ingres­sos para shows e outros even­tos pro­mo­vi­dos pela casa será fei­ta exclu­si­va­men­te pelo Eventbrite, e pelo ingresso.com é pos­sí­vel com­prar ingres­sos com lugar mar­ca­do para o cine­ma.

Os filmes de julho

Fique por den­tro da pro­gra­ma­ção com­ple­ta para julho da Sala José Carlos Avellar, o cine­ma do IMS Rio, com datas e horá­ri­os das exi­bi­ções e ins­tru­ções para com­pra de ingres­sos.  Um dos des­ta­ques é a cópia res­tau­ra­da de Gritos e sus­sur­ros, de Ingmar Bergman.

Cinema sem arestas

Talvez não seja casu­al que, a cer­ta altu­ra de Uma famí­lia de dois, de Hugo Gélin, se faça refe­rên­cia a Eddie Murphy. Omar Sy está hoje para o cine­ma comer­ci­al fran­cês como o come­di­an­te nor­te-ame­ri­ca­no esta­va para Hollywood nos anos 1980: é o astro negro ofi­ci­al, esca­la­do para dar aos fil­mes um ver­niz de sim­pa­tia e cor­re­ção polí­ti­ca e, no fim das con­tas, aju­dar a mas­ca­rar ou edul­co­rar ten­sões raci­ais mais incô­mo­das e ver­da­dei­ras.