Os filmes de abril

Fique por dentro da programação completa para abril da Sala José Carlos Avellar, o cinema do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos. Além da retrospectiva de João Pedro Rodrigues, um dos destaques é Martírio (foto), de Vincent Carelli.

A doença da imaginação

Split, o título original de Fragmentado, tem várias traduções possíveis, além da adotada pelos distribuidores brasileiros: cindido, despedaçado, dividido, esfacelado… Todas se aplicam ao esplêndido filme de M. Night Shyamalan que está chegando aos nossos cinemas.

Vinicius e Susana em Bolonha

O DVD de Vinicius de Moraes, um rapaz de família, documentário de Susana Moraes lançado pelo IMS em versão restaurada e masterizada digitalmente, está entre os finalistas do XIV Il Cinema Ritrovato DVD Awards.

A arte de perguntar

Para Robert Silvers, morto na segunda aos 87 anos, a The New York Review of Books era uma extensão da própria casa. Para não deixar dúvidas, ele mantinha uma cama nos fundos do escritório.

Um crítico em meio ao todo

Tome-se aleatoriamente um ensaio de José Carlos Avellar e será possível detectar muitas das características de seu pensamento e ofício. A análise crítica, seja relativa a um período cinematográfico, seja específica a um filme, era uma delas. Era frequente o crítico adotar o registro pontual para chegar ao mais amplo. Afrontava seu tema não numa análise fechada em si, mas em variado “diálogo” com textos e entrevistas de pares teóricos e realizadores. Avellar fazia ecoar, assim, pontos de vista convergentes ou divergentes a uma tese. Esse procedimento singular de análise foi sendo estabelecido e aperfeiçoado aos poucos.

Beleza não pragmática

Na época da especialização desmedida, é perfeitamente possível alguém ser um dos maiores intelectuais em história da arte e ainda assim não ter a menor noção do que existe dentro de um átomo para além do modelo aprendido na escola, no qual um elétron orbitava um núcleo como um pequeno satélite ao redor da Terra. Os “livros de divulgação científica” buscam saltar o abismo criado na sociedade contemporânea entre o ensino de exatas e o de humanas.

Maloca moderna

Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, é, de certa forma, o adendo que faltava ao clássico de Adoniran Barbosa, “Saudosa maloca”. Poucos filmes podem ser considerados mais atuais. O que vemos ali é a crônica, entre a ficção e o documentário, do dia a dia de uma “ocupação” no centro de São Paulo, às vésperas da sua “reintegração de posse”, eufemismo para despejo.

O maior pintor do Brasil

Provocou inveja e amargura, em certo meio mais do que restrito, a declaração de Luiz Zerbini de que Elvis Almeida seria “no momento, o maior pintor do Brasil”. O comentário conseguiu desagradar tanto a artistas veteranos, que se acharam preteridos, quanto a outros mais novos, que gostariam de ter sido alvo de um elogio tão público. Não pretendo entrar minimamente no mérito dessa questão. O que se quer discutir aqui é outra coisa: a quem serve esse processo de lançar uma nova promessa?

Rocinha mais que visível

Dizer que as favelas são excluídas economicamente, socialmente, culturalmente e até geograficamente do mapa da cidade é chover no molhado. Nem por isso, contudo, elas se consideram invisíveis, e muitas vêm se dedicando a movimentos de resgate de orgulho e pertencimento. É o caso da Rocinha, maior favela do Rio e considerada a maior do país, que ganha este mês o site Memória Rocinha, fruto de uma parceria entre o IMS e o Museu Sankofa.

Boa música em casa nova

Se alguém perguntar o que move a Rádio Batuta, a resposta pode soar presunçosa, mas é simples: tocar boa música. Significa música feita com inteligência e sem obsessões comerciais. É também como a Batuta procura agir desde que foi criada pelo IMS, em 2010. Esse perfil será reforçado a partir da tarde do dia 15, quando entrará no ar o nosso site reformulado – mas com o mesmo endereço: radiobatuta.com.br.